segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Exterminador de futuros


No último dia 21, aconteceu a décima edição do EMESM (Encontro das Mocidades Espíritas de São Miguel). O tema central deste ano foi o da tecnologia. Entre debates, dinâmicas, músicas, estudos e referências doutrinárias, os participantes foram conduzidos, a todo instante, à reflexão sobre o uso responsável das mais diversas tecnologias.

Logo na primeira experiência do dia, os jovens participaram de uma ambientação na qual tiveram seus celulares confiscados. A partir daí, começava o desconforto dos participantes. Vale dizer, que muitos dos jovens presentes descreveram este momento como sendo invasivo e que chegaram a sentir um vazio, já que, daquele momento em diante, não tinham em mãos o aparelho que os ligavam ao resto do mundo. Entretanto, apesar do desconforto dos primeiros momentos, os mesmos participantes que afirmaram senti-lo, disseram também que, horas depois, não percebiam mais a falta do celular. Neste misto de sentimento de perda e solidão digital, os jovens, através de suas próprias opiniões, identificaram que somos escravos da tenologia e que é preciso que deixemos claro quem é que manda em quem. E, identificando que o uso exagerado dessas ferramentas que facilitam nosso dia a dia nos torna doentes, fizeram assim paralelo com a situação dos usuários de drogas, ao se colocarem também na posição de viciados.

Identificado o mal, era preciso tratá-lo. Mas como fazer isso? A humanidade já está tão acostumada com a superfluidade das facilidades cotidianas que viver sem elas parece algo impossível. Mas será mesmo? Será que não nos é possível viver sem celulares, computadores, televisão etc.? Deixemos bem claro, evidentemente, que a intenção do evento não era fazer oposição ao desenvolvimento tecnológico e a todas as comodidades que esses avanços nos proporcionam, muito pelo contrário. A ideia do evento foi a de justamente enriquecer esses inventos maravilhosos, dando a eles o devido valor, ao invés de pejorá-los, fazendo-lhes mau uso.

A solução então estava no reset, isso mesmo, recomeçar. E novamente os participantes foram conduzidos ao universo de suas próprias consciências, com a ajuda de uma dinâmica em que todos foram inseridos em um ambiente primitivo, após terem sido exterminados por uma máquina que veio do futuro, com o propósito de realizar o exílio daqueles que não souberam aproveitar os recursos tecnológicos. Nesse instante, todos puderam entender, pelo menos parcialmente, o que aconteceu com os capelinos. E ficava aí, a grande reflexão do evento: De todos os seres na terra, o ser humano se destaca por sua capacidade de adaptação e criação. Logo, cabe a ele, como ser predominante e agente transformador de seu próprio meio, a responsabilidade de usar todo o seu conhecimento para o bem geral do planeta, no campo material e, sobretudo, no campo moral.




sexta-feira, 28 de junho de 2013

what we know of ourselves


by Martha Jane Petersen,
Ai de mim, homem oco, visionário, ai de mim, garoto suburbano, preguiçoso em relação aos meus deveres, insensível aos que me amam.

Um tempo atrás, eu estava tão bem, socialmente falando, que nada podia me parar de fazer façanhas e só pra acariciar meu ego. 

Quantas vezes fui aplaudido, simplesmente por fazer bem feito aquilo que sempre fiz com facilidade e pelo que sempre me destaquei (escrever) ?

Quantas vezes tirei sarro de pessoas que tinham certas dificuldades? Quantas pessoas ridicularizei por me achar superior?

Todo império tem seu ápice, assim como minha lista de ações antiquadas. Cai, violentamente, numa maré de falta de criação, e como já era de se esperar as consequências estavam batendo na minha porta.

Após isso, em desespero, procurei a boa e velha filosofia, e me deparei com aquela bela história das Três Pereiras. Resumindo, quando formos falar de alguém temos que ver três requisitos:

Verdade, Bondade e Necessidade. 
Verdade: é mesmo verídico o fato que vai passar pela sua boca sobre alguém?  

Bondade: não devemos falar qualquer coisa por aí, primeiramente, porque as pessoas se magoam, mesmo que não seja nossa intenção magoá-las, e, ainda, quem somos nós pra dizer qualquer coisa?

Necessidade: Bom, vai fazer alguma diferença na vida de quem está a sua volta o que será dito?


Depois de conseguir entender bem a mensagem, eu pude filtrar não só minhas palavras, mas também minhas atitudes. Assim, me tornei humilde e, como consequência, semana passada, voltei a ser aplaudido, foi quando senti orgulho pelo meu trabalho e por poder ter uma atitude de respeitável agradecimento e não de autoengrandecimento. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Uma lição de vida

Fui convidado a fazer uma palestra em uma casa espírita sobre o tema: Suicídio. Tema sempre difícil, porque afinal todos sabemos das implicações sérias dessa atitude para quem assim procede, mas também sabemos da necessidade perene de reafirmamos sempre, quando tocamos nesse assunto delicado, que, diante de qualquer limitação humana, impera a consolação do Cristo, portanto, da sua boa nova que reafirma o Amor divinal e que não desampara seus filhos em nenhuma circunstância.

Assim sendo, procuramos estudar para que nossa mensagem fosse o mais conforme possível aos ensinamentos da doutrina espírita, mesmo que ainda sejamos imperfeitos na sua completa absorção, compreensão. Além de ler em o Livro dos Espíritos passagens referente ao tema do suicídio, também ouvimos esta palestra de Divaldo Pereira Franco: Família e Suicídio. Sugerimos que você assista a esta palestra que está disponível no Youtube. 
Para encerrar nossa própria fala, na pequena explanação que fizemos  sobre o tema, decidimos ler um trecho próximo ao final da fala de Divaldo e que transcrevemos abaixo. 

Depois de nos falar das experiências muito sérias a respeito do fenômeno dos insights de vidas passadas e de nos contar sobre uma experiência pessoal, ressaltando as circunstâncias do suicídio de sua própria irmã, Divaldo conclui lindamente, reafirmando o valor da vida e da alegria que devemos ter ao assumir as graças da benção da reencarnação, buscando semearmos o Amor sempre.

A reencarnação é uma benção de Deus que nos enseja a reparar o passado, construir o futuro, entender o presente e desenvolver os sentimentos do Amor.
Entre os postulados básicos da doutrina espírita é a reencarnação a justiça manifesta de Deus. Por isso que filhos ingratos, drogados, filhas rebeldes, companheiros desleais, familiares estúrdios, amigos traiçoeiros pertencem à nossa economia evolutiva. Ao invés do revide, a compaixão; ao invés do ódio, o amor; ao invés da repulsa, a afabilidade, a doçura.
Se tendes filhos que vos parecem ingratos, que não conseguem vos trazer alegria, amai-vos mais! Se tendes filhas rebeldes e atrevidas, que se permitem uma vida licenciosa, nesses dias de disparates, mais ternura para com elas.
Se tendes companheiros que não correspondem ao dever de assumir espontaneamente, mais amor. E se não puderdes amá-los, masculinos ou femininos, mais compaixão.
Estamos na terra, recolhendo os cardos, os espinhos, mas também os pomos dourados que deixamos no passado . Tendo a sublime oportunidade de semear: semeemos Amor! Alguém nos ofende? Pior para ele. Alguém nos persegue? Pobre dele. Mas, quando somos nós os ofensores, os perseguidores. Aí de nós! Recordemos de Jesus os sete ais do Evangelho e sejamos nós aqueles que devemos amar, em qualquer circunstância.
A nossa família não é a família que gostaríamos de ter. É a família que temos necessidade de nela nos encontrarmos . Talvez a nossa família real esteja espalhada por diferentes lugares da terra e nós teremos ensejo de encontrar um e outro. Mas, por enquanto, é essa família provação que nos enseja o crescimento espiritual.
Encontremos alegria de viver, porque só através da reencarnação é que podemos conseguir a palma da vitória. E, em qualquer circunstância, contribuamos em favor da fraternidade. Evitemos o mal, não lhe demos guarida. Não transmitamos as más notícias, abandonemos a euforia de ser portadores das notícias trágicas, desventurosas, de ser instrumentos do mal. Que a nossa mensagem seja a mensagem perene do bem, como Ele disse: “Eis que eu vos trago boas novas de alegria” Há dois mil anos, Ele nos trouxe boas novas de alegria e que o Espiritismo agora está restaurando e colocando ao nosso alcance. (...)
Desejo que vos permitias penetrar pelo sentimento de compaixão pelos infelizes que são aqueles responsáveis pela infelicidade dos outros. Um dia, Dr. Bezerra me disse: “Todos oram pelos que choram, vamos orar hoje, meu filho, por aqueles que promovem as lágrimas. Todos pedem pelos que sofrem, que nós, hoje, possamos pedir por aqueles que são responsáveis pelo sofrimento humano. Todos suplicam pelos desesperados, que sejamos nós aqueles a rogar pelos que ocasionaram desespero.” É o que vos pedimos: que tenhamos compaixão dos que choram, mas tenhamos piedade dos que promovem as lágrimas. E se não os pudermos perdoar que pelo menos os desculpemos, cantando nosso hino de louvor à vida.
A vida é bela, é consentida. Nós temos tanto para agradecer e tão pouco para pedir! Que, em nossos momentos de reflexões, valorizemos o que há de melhor em nós, dizendo: Meu Deus, muito obrigado por tudo o que me deu e que me dás. (...)

Você pode ouvir a palestra de Divaldo integralmente no Youtube.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Deus está aqui neste momento


Hoje, tomei o metrô na linha amarela, pois eu vinha do Butantã para o centro da cidade de São Paulo. Lamentei não ter um livro para ler e lembrei-me que eu tinha um, em pdf , no celular e o comecei a ler. Era um livro psicografado por Divaldo Pereira Franco e falava da Transição Planetária. No trecho que eu lia, um espírito que ainda iria nascer no nosso planeta, vindo de outro mais adiantado, contava aos seus interlocutores a respeito de lá e também queria saber do que acontecia por aqui:

Por sua vez, interrogou-nos a respeito das paisagens de sombra e angústia que notara na Terra, das densas ondas de infelicidade e de revolta que lhe produzia choques vibratórios, assim como do horror da violência, das buscas desenfreadas pelas paixões dissolventes e destrutivas, que caracterizam, por enquanto, o nosso mundo de provas e de expiações.Sem nenhuma expressão de censura, analisou o primarismo ainda existente em nosso planeta, onde os horrores da guerra ceifam milhões de vida com periodicidade, assim como a ocorrência das contínuas vagas de terrorismo de toda espécie, dos fenômenos sísmicos que abalam a estrutura geológica da Terra, dos sofrimentos superlativos... Havia uma dorida expressão na sua face ao analisar o novo mundo onde iria trabalhar, em tentativa de auxiliá-lo a melhorar-se, tornando-se mais tristonha ao referir-se à criminalidade, aos terríveis abortos provocados, às aplicações da eutanásia, ao volume de suicídios e ainda à pena de morte legalizada...

Quando eu estava lendo o trecho acima, notei a pessoa que estava sentada ao meu lado no metrô. Era uma jovem negra, gestante e que estava com os olhos fechados, dos quais desciam grossas lágrimas. Aquela cena foi de cortar o coração: uma mulher negra, grávida e chorando. Senti que eu não devia lhe falar, oralmente, em respeito a sua dor (da qual eu sequer podia imaginar a origem...) Mas, imediatamente comecei a pedir em prece por ela e também a emitir-lhe mensagens por pensamento, enquanto por minha vez também chorava: eu me sentira profundamente solidário àquela dor.

Agora, éramos dois chorando. No vagão, ninguém mais percebeu a cena a não ser outra moça, também negra, sentada em um banco no lado oposto ao nosso. Eu pensava fortemente: Tenha coragem, meu amor. Na aflição, o que precisamos é de fé e coragem. Repetia fortemente esse pensamento, como ladainha, e voltado a sua direção. 

Tenho certeza que de algum modo a ajudei, ela parecia ao longo da minha prece acalmar-se e senti que  isso se confirmou, quando, ao levantar-nos os três para descermos do trem, a outra moça sorriu para mim como a dizer: fizemos nossa parte. 

Por assim ter sido nessa ocasião, graças a Deus! E que sempre assim seja, com a graça de Deus!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Já pensando na próxima COMELESP !



Nós estávamos aguardando Wilton Oliveira e Roberto Forner terminarem a edição desse vídeo que pretendemos seja utilizado para a divulgação do clima de estudo, de descontração e de alegria que caracterizam os encontros de confraternização das mocidades espíritas da região leste do estado de São Paulo, como foi nossa 35ª COMELESP.

Foram muitas horas de gravação e a dupla de vaga-lumes teve bastante trabalho para dar o formato que desejavam a esse resultado, ou seja, uma maneira toda pessoal e especial de como os dois viram o evento.

Desejamos que no próximo ano, muitos daqueles que aqui aparecem nas imagens editadas possam voltar e que novos jovens participantes venham também conhecer essa experiência sempre tão rica em aprendizado para todos: participantes e organizadores. Enfim, todos nós trabalhadores da seara do Mestre Jesus.

Josafá Crisóstomo pôde dar seu depoimento no próprio evento, quando divulgou o resultado da oficina organizada pela Vagalumeria na sala optativa. Ele disse que nunca, em sua juventude, tinha participado de um evento semelhante e que, portanto, todos ali estavam de parabéns por se permitir essa experiência coletiva de contato com a espiritualidade amiga.

Agora, pedimos ao Matheus Ferreira, nosso vaga-lume mais jovem, para também dar seu depoimento sobre sua participação na 35ª COMELESP. Vejam o que ele escreveu:

Não tenho palavras para descrever como foi o evento, acho que maravilhoso é pouco! Foi a primeira vez que participei de um encontro de mocidades e chorei de emoção quando tudo acabou (sou um coração de pedra, é difícil alguém me ver chorando).
Conheci uma galera que fala sobre as Revelações e o planeta de Capela, entre outros assuntos, e que são os que mais me interessam no meio espírita. Sem falar nas músicas que cantamos e do modo que interagimos durante os módulos e ainda nas salas optativas.  Aaah, as salas optativas... Como já foi comentado neste blog, a Equipe Vagalumeria coordenou a oficina chamada “Queremos falar de Espiritismo na Blogosfera”. E, por incrível que pareça, cada um dos participantes já sabia exatamente em qual área - do audiovisual, textual ou de designer - queria atuar, antes mesmo da oficina começar. Realmente, foi maravilhoso.
Pude também fazer amizades com a galera das bandas que se apresentaram (principalmente a “Cartas De Bordeaux").
Quero agradecer à espiritualidade, à equipe de organização do evento e a todos os que participaram e ajudaram a construir estes três dias tão bons! 
      

Está com saudades do evento? Então, veja o vídeo abaixo e divulgue essa postagem entre todos os que participaram e entre os amigos que você gostaria que conhecesse a 36a COMELESP, no próximo ano!



sábado, 13 de abril de 2013

Que nossa vida seja sempre muito mais COMELESP!


Galera, nós também já estamos com muitas saudades da 35a COMELESP - Confraternização das Mocidades Espíritas do Leste do Estado de São Paulo, que neste ano aconteceu em Tremembé e teve como tema: SER - Sentimento, Expressão e Responsabilidade. O encontro ajudou-nos a refletir sobre a  autorresponsabilidade como caminho para o bem-estar individual e universal. 

Todo mundo deve estar lembrado do 1º módulo de estudos, que aconteceu na sexta-feira, bem como daquela primeira inesquecível dinâmica, na qual ficamos de olhos vendados, buscando lembrar-nos de todo o longo caminho evolutivo que trilhamos até chegarmos a nossa atual condição. 

Na sala optativa que a Equipe Vagalumeria ajudou a conduzir -  Queremos falar de Espiritismo na Blogosfera - convidamos duas participantes que atuaram na equipe de editoria para que escrevessem suas sensações e impressões a partir daquela experiência no  Módulo. Estamos postando seus textos por aqui a fim de compartilhar não apenas uma doce lembrança, mas também mais uma oportunidade de aprendizado. 


Uma Lembrança Inquietante

Por: Lihzianne Aryevillo

29 de março de 2013. Dia ensolarado com temperatura amena, 14 horas. Aparentemente, um feriadão de páscoa, numa tranquila cidade do interior de São Paulo (Tremembé para ser mais específica).
Enquanto muitas famílias estão ocupadas, preparando o tão tradicional almoço de páscoa, cerca de 300 jovens fazem algo diferente: num dado momento e separados em suas respectivas salas, voltam ao mais remoto dos tempos de existência espiritual. Eles deixam de ser pessoas com senso de razão e inteligência, para voltarem a ser vermes, amebas, seres primitivos e pré-históricos. Estamos falando da primeira dinâmica oferecida pela COMELESP de 2013, ocorrida em Tremembé, São Paulo. E a dinâmica era exatamente isso que acabei de descrever acima. Todos os participantes de olhos vendados e, sob coordenação do dirigente da sala, simulam, após o direcionamento do mesmo, uma existência como ser unicelular, depois, como uma esponja marinha, como dinossauro e homem pré-histórico, primitivo, até chegar à condição de existência atual.
Não há como não refletir. Não há como não pensar, indagar e não filosofar a respeito. Um dia fomos aquilo. E, no dia 29, “voltamos” a ser aquilo novamente, bilhares de anos mais tarde e infinitamente mais desenvolvidos, fisicamente e espiritualmente, e mais evoluídos também. Mais evoluídos? Ainda temos surtos animalescos, perdemos a razão por motivos pequenos, somos mesquinhos, egoístas, arrogantes, hipócritas e prepotentes, coisas que nada têm a ver com o conceito de “homem evoluído”. E isso só me faz pensar como somos pequenos e insignificantes diante do eterno. Não, eu ainda não estou falando de Deus. Estou falando da vida. Da nossa vida, e do nosso papel perante a sociedade, no que diz respeito à nossa existência como pessoas, e até mesmo como espécie humana.
Bilhares de anos se passaram, e ainda somos muito pouco perante tudo o que ainda temos a evoluir. Bilhares de anos estão por vir, e ainda assim teremos muito a atingir.Somos apenas seres do universo em busca de conhecimento e de sentido para existirmos. Aqui vai uma notícia para você: esse processo é infinito.

Mergulho na lembrança

Po: Íthala Sakai

Sinta o ar, respire-o profundamente e adentre nessa viagem. A ausência de luz, a voz firme que te direciona  diz o que és e o que não deves fazer. Mesmo que você sinta sua voz a todo o momento querendo lhe inundar a garganta, você se cala, Você tem essa capacidade, mas ela não lhe cabe nesta condição. Teus movimentos ainda estão bem limitados, estão prontos para reagir ao mundo, mas você não os possui em sua máxima capacidade. Jogue-se no chão, rasteje e sinta tal limitação, sinta o que já foi, o caminho que já percorreu. Perceba que embora você se conheça hoje, ali, isso não era o suficiente.
Agora, há uma voz que lhe ordena andar, as luzes se acendem e ao seu redor outros como você, nesse momento, lutam por questões básicas de sobrevivência: a busca do alimento, a disputa por espaço. Morrer não é o objetivo e você usará todos os instintos a seu favor. 
Você se aproxima do que é, mas ainda não se atingiu plenamente. E percebe ainda uma constante: mesmo que você se atinja em seu âmago, tem consciência que isso ainda não é a plenitude.
Abra as portas, sua mente e o coração. 
A hora de se autoconhecer se conquista ao verificar o que se foi e o que ainda pode vir a ser. É entender por onde se passou e olhar diferentemente para as dificuldades: desde o modo como as julgou.
É preciso olhar ao redor, mas também olhar para dentro, buscando o interior, ou seja, o autoconhecimento. Para assim obter a melhoria moral, sobreviver à mudança e prosseguir evoluindo sempre.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Cobertura das salas optativas - COMELESP 2013


Este é o registro do segundo dia (em 29 de março) da 35ª COMELESP (Confraternização das mocidades espíritas do Leste do Estado de São Paulo). Somos os participantes da sala optativa voltada ao tema da blogosfera e fizemos a cobertura do evento durante nossa oficina. 

Visitamos as salas optativas, enquanto cada uma delas trabalhava com uma temática diferente.

Falaremos aqui um pouco sobre cada oficina, a partir dos depoimentos dos participantes.

Táticas de Guerrilha, Espiritismo na prática
O título da oficina foi um grande atrativo entre os participantes, gerando curiosidade. Eles esperam usar essas experiências e táticas aprendidas na sala optativa em sua vida em prol do próximo.

Juventude Carola
Fábio Levi conta que já havia utilizado esse tema em sua mocidade e por isso o escolheu, afinal, quando já se tem uma noção do tema fica mais fácil discuti-lo. A expectativa é a de  conhecer e entender melhor as pessoas.

O SER em expressão
Nessa sala optativa, os participantes foram unânimes em dizer que o principal motivo para terem optado por essa sala foi a necessidade de conhecimento interpessoal.

As palavras e a criação dos mundos
Voltada à arte da escrita, a sala optativa teve como principal objetivo desenvolver as aptidões dos participantes a respeito de conceitos e possibilidades de expressão em torno da escrita.

Projeto Carrossel – Música
Aos apaixonados por música, essa sala foi a oportunidade de revelarem sua paixão pela arte, com o intuito de aprender mais a seu respeito e transmitir as mensagens da doutrina por meio dela. O mais interessante é que esse projeto é rotativo, os integrantes de ontem serão diferentes dos de hoje e dos de amanhã.

CAMJEV
A ideia da caridade é que fez um participante chamar o outro e todos se integrarem com grande entusiasmo nesse projeto com gostinho de dever cumprido.

Melhora corporal
O objetivo dessa sala pode ser resumido em uma atitude perante o próprio corpo para alcançar o equilíbrio pessoal.

Teatro – A Expressão do Sentimento
Grande parte dos participantes disseram que buscaram essa sala optativa a fim de vencer a timidez.

Dinamiza Aê!
Essa sala chamou a atenção principalmente devido a interação e o dinamismo. Os participantes pretendem levar o conhecimento ali conquistado para a sua vida pessoal.

Jogos em Grupo: A diversão como forma de expressão do SER
O principal motivo que atraiu os jovens participantes foi o gosto pelos jogos, mas o mais importante foi a novidade de aprender a cooperação nos jogos.

Ritmo: O som do corpo
Sala optativa bastante dinâmica promoveu através da música o autoconhecimento,  o que empolgou os participantes.

Mesmo que em algumas salas optativas os participantes tenham chegado ali porque a primeira opção já estava esgotada quando foram se inscrever, ainda assim, muitos disseram que estavam aproveitando ao máximo a experiência.

Vejam no vídeo abaixo, os depoimentos da galera, registrados pelos repórteres da equipe de audiovisual da sala optativa Nós queremos falar de espiritismo na Blogosfera! Sala optativa coordenada pela Equipe Vagalumeria.





Atenção: Durante o mês de Abril, continuaremos fazendo postagens tendo como assunto a 35ª COMELESP. Toda semana uma nova postagem, com imagens, depoimentos de participantes da nossa oficina ("Blogosfera") e, por fim, a reportagem oficial da Vagalumeria durante o evento. Aguardem!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Espírito criança?

Hoje, os fenômenos da mediunidade têm sido explorados não somente dentro dos centros espíritas. Há manifestações em todos os campos da vida como, aliás, sempre houve, a diferença é que, na atualidade, esta faculdade começa a ser reconhecida e, assim, ela tem assumido seu devido lugar.

Entretanto, as manifestações mediúnicas, por mais comuns que sejam, ainda não são compreendidas, e nisso os espíritas de nossos dias têm grande culpa, sobretudo, por não terem dado o devido valor aos estudos kardecianos. Um dos eventos que denuncia nossa ignorância doutrinária é o fato de que admitimos como válidas, alguns até como sublimes, as manifestações de espíritos que ainda permanecem fortemente ligados às impressões materiais. Falaremos aqui, especialmente, dos chamados eres, "espíritos" comuns nas manifestações presentes nas religiões afro-brasileiras.

A questão capital, que os espíritas verdadeiramente atentos devem fazer, é se essas comunicações são possíveis e, se sim, em que circunstâncias elas se dão e qual o seu objetivo, pois, tomando como princípio as leis divinas que regem igualmente todo o universo, devemos entender que toda afirmação verdadeira deve obedecer ao princípio básico da verdade, que é a lógica.

Sendo assim, façamos a seguinte reflexão:

- Se um espírito tão apegado à matéria, ao ponto de manter-se prisioneiro na forma de uma criança, pode tomar posse, por assim dizer, do corpo de um adulto, submetendo-o a posturas ridículas como chupar chupeta, brincar de bonecas, chorar como se fora um bebê etc., devemos também aceitar que uma criança encarnada poderia fazer o mesmo com uma pessoa adulta.

Sabendo que isso é algo impossível, colocamos em xeque a possibilidade da manifestação - pelo menos nos moldes em que ela comumente se apresenta. Afinal, a infância é uma faze restrita somente à condição humana e, nesse caso, como bem sabemos, são as crianças que estão sujeitas aos conselhos e direcionamentos educacionais dos adultos, e não o contrário.

Entretanto, por mais ilógicas que pareçam tais manifestações, temos evidências de sua ocorrência – considerando, evidentemente, somente aquelas que são verídicas, excluindo de nossa abordagem todo e qualquer indício de fraude.

Pois bem, é um fato que elas ocorrem, e, como falamos anteriormente, precisamos verificar a utilidade prática disso, bem como analisar suas circunstâncias.

Devemos excluir a possibilidade de que um espírito-criança possa nos dar algum conselho de ordem moral - pois se tal espírito não consegue sequer transpor essa barreira material, que se dirá em relação a alcançar alguma verdade divina. Assim sendo, vamos nos ater às questões relativas ao auxílio. Nesse campo, sim, as manifestações de espíritos-crianças parecem ganhar não somente lógica, mas justifica-se pela utilidade e o objetivo caridoso que tal ato encerra. Já que, depois de recobrada a consciência de sua verdadeira personalidade e seu real estado - ou seja, nem o de criança nem o de defunto, mas simplesmente a de um Espírito livre - espera-se que a entidade retome sua caminhada evolutiva desfazendo-se das amarras que lhe prendiam às impressões da vida física.

Em relação a essa questão, alertamos que aqueles que atuam nestas áreas da mediunidade - que não são, necessariamente espíritas - devem entender que, fazer com que um espírito permaneça nesta condição tão pequena, somente para satisfazer os seus ritos é, antes de tudo, uma atitude anticaridosa. Obviamente, esse assunto nos conduz a outros como os que remetem aos caboclos, pretos velhos, exus e tantos outros. Mas pensamos que nos estenderíamos muito e, além disso, julgamos que a mesma máxima, com a qual avaliamos o perfil dos eres (a saber: o trecho grifado no parágrafo anterior), sirva para essas outras denominações.

Lembramos que as manifestações de espíritos dessa ordem, acontecem mais comumente nos chamados terreiros de umbanda, aos quais nós dispensamos o devido respeito. Entretanto, não raro, vemos grupos espíritas adotando práticas sincretistas a título de não parecerem excludentes e separatistas. Quanto a isso, não posso deixar de dizer que atitudes desse nível revelam tão somente falta de personalidade religiosa-filosófica e uma grande e lastimável ausência de convicção na doutrina que o espírita diz professar.

Quando Kardec perguntou aos espíritos se o Espiritismo seria a religião do futuro, os Espíritos lhe responderam que não. Disseram que o Espiritismo seria o futuro das religiões. Isso implica compreender que adotarmos manifestações de caráter primitivo e nada esclarecedoras representa um retrocesso. Isso coloca os centros "espíritas", que adotam esses tipos de manifestações, em um grau maior de culpabilidade, e, por que não dizer?, em um grau de barbárie. Já que entregam àqueles necessitados a chave da ignorância negando-lhes a do conhecimento.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O que todos nós podemos perceber nesta Transição Planetária


Participo de um grupo formado por trabalhadores de casas espíritas de nossa região, na Zona Leste de São Paulo, e que percorre várias casas para apresentar uma explanação acerca de um tema previamente escolhido.  Nesse primeiro trimestre do ano, o tema escolhido pelo grupo Fraternidade foi o da Transição Planetária.
Para que pudesse ser útil nessa empreitada,  procurei estudar, afinal, esse é um assunto bastante extenso, rico de pormenores e, comumente, temos apenas 30 minutos nos trabalhos das casas para expor nossa mensagem, portanto, sempre de uma maneira bastante condensada.
Um dos livros que li sobre esse importante e atualíssimo tema foi a obra psicografada por Divaldo Pereira Franco: Transição planetária (pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda). Salvador: Livraria Espírita Alvorada Editora, 2010, 248 p.
Há uma passagem, no capítulo XVI intitulado “Programações Reencarnacionistas”, que contempla um aspecto que eu acho tão necessário que seja mais divulgado, que vou reproduzir aqui, na esperança que os leitores desse nosso blog também despertem seu interesse pela leitura integral da obra:

Podíamos perceber os numerosos grupos de trabalhadores de nossa esfera e de outras sob o comando superior de Jesus desdobrando-se para criar no planeta a psicosfera compatível às exigências das transformações que se operavam mediante o sofrimento, assim como através do despertamento das consciências pela iluminação do conhecimento e as bênçãos da caridade.
Os Grupos Espíritas afeiçoados à verdade e os trabalhadores responsáveis pela realização do bem geral passavam a receber informações especializadas a respeito da conduta dos seus membros, como aliás sempre ocorreu, de forma que pudessem criar o clima mental e emocional para enfrentar os cataclismos que, por outro lado, aconteciam mais frequentemente, acelerando o processo de crescimento das vidas em amor e paz.
Simultaneamente, reconhecendo as operações transformadoras que ora se realizavam, Entidades perversas, vinculadas ao desvario ou dele vítimas, movimentavam-se com sofreguidão, desenvolvendo mecanismos de agressividade contra todos aqueles que se encontravam comprometidos com a responsabilidade das mudanças em andamento.
Ciladas habilmente organizadas, estereótipos do prazer e estímulos vulgares às sensações passaram a ser inspirados aos multiplicadores de opinião dos grandes veículos da mídia, de modo a perturbar a marcha do progresso, ampliando a área dos desmandos de toda ordem, especialmente a que diz respeito aos gozos servis e de fácil acesso.
Conclaves insidiosos organizados pelos inimigos do Bem, nas furnas em que se homiziavam, estabeleceram metas de vingança, utilizando-se da política sórdida a que se entregam muitos dos seus membros, ora reencarnados nessa área, como nas religiões, nas artes e noutros setores sociais, a fim de que chafurdem no lodaçal do caos moral, em estímulo negativo aos comportamentos saudáveis, fazendo campear o descrédito, o desrespeito às leis e aos deveres, na volúpia de acumular recursos que não são transferidos com a desencarnação, mas entorpecem os significados elevados da existência espiritual.
Fomentadores de guerras de extermínio, de terrorismo insano, de perseguições às minorias, de deboche e de preconceito, misturaram-se às multidões, inspirando governos e cidadãos às atitudes calamitosas, de modo que a esperança seja deixada à margem sem consideração, e os exemplos nobres se transformem em mensagens de aproveitadores e oportunistas desvairados...
Subitamente pôde-se observar o aumento surpreendente das aberrações, dos crimes hediondos, da violência inclemente e da falta de autoridade para impedi-los ou administrá-los, tornando-os banais e quase desconsiderados.
O vale-tudo que começou a ser estabelecido, tem o objetivo de criar o clima de desinteresse pela honorabilidade, pelos valores éticos, pelo respeito à criatura e à sociedade, demonstrando que todos esses significados haviam sido perdidos e uma nova e descontrolada ética passava a ser assinalada como regra de comportamento próprio para estes desditosos dias...
Por efeito, volumosa onda de pessimismo tornou-se dominadora no oceano das existências, e os jovens, principalmente, sem lideranças dignas nem diretrizes de equilíbrio, passaram a ser as vítimas selecionadas pela sua representação de herdeiros do futuro.
As festanças licenciosas, os programas televisivos chulos e vulgares, agressivos e mentirosos, ao lado do cinema e do teatro em lavagem cerebral  de que somente o prazer a qualquer preço é que vale a pena, começaram a tornar o proscênio terrestre local de hediondez, de selvageria e de permissividade, que levam à degradação, à exaustão...
Repentinamente, os pais e educadores passaram a ser assaltados pelas dúvidas em torno do significado da formação moral dos filhos e aprendizes, verificando os salários altíssimos com que são remunerados os comportamentos doentios e chocantes em detrimento das profissões dignas e desgastantes daqueles que se exaurem no exercício do dever.
Os dois mundos de vibrações - físico e espiritual - aumentaram o intercâmbio com maior facilidade e o conúbio espiritual inferior começou a fazer-se tão simples que qualquer comportamento mental logo encontra resposta em equivalente sintonia com os Espíritos que se movimentam nessa faixa vibratória. É claro que aquela que diz respeito aos sentidos mais agressivos e sensuais, predomina na conduta generalizada.
(...)

Tudo diz respeito à resposta das Trevas organizadas contra a programação do dúlcido Cordeiro, pacífico e pacificador, que não revida ao mal, prosseguindo com os métodos do amor, no afã de promover o progresso da Humanidade e do seu berço terrícola. 
Em nossas reflexões, nas noites seguintes, podíamos ver, sem qualquer  dúvida, as caravanas de luminares descendo na direção da Terra, com a missão sublime de facilitar a reencarnação dos novos condutores do futuro ao lado dos imigrados de Alcíone em verdadeira sinfonia de bênçãos. Foi numa dessas oportunidades, quando, em grande silêncio, nosso grupo encontrando-se ao ar livre, contemplava o zimbório de estrelas lucilantes e de prateado luar, que o nosso mentor nos convidou à oração, propondo-nos a entrega total ao Celeste Amigo que viera, há dois mil anos, clarear a grande noite com a luminescência do Seu inefável amor. 
Agora enviava, conforme o prometera, neste momento de tantas aflições,  o Consolador, que já se encontrava no mundo terrestre há mais de um século, como uma constelação de seres elevados, para que as sombras fossem definitivamente diluídas ante as divinas claridades siderais. 



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Fardo ou Dever?

Quando a verdade bate na porta da vida e ela não é nada agradável, assim como o ar que se respira, o som das ruas e as pessoas quando são irracionais conosco, e consigo mesmas...

Nós devemos detestar tais circunstâncias? 

Quem as provocou?

Ou dar atenção ao bom censo e passar por tudo isso de cabeça erguida?

Eu andava tranquilo sobre o fogo e levitava sobre as águas. Procurei por mais aventuras e achei desventuras, mas o plano superior sabe que estou arrependido agora, e me pergunto:

“Por que em vez de sorrir, prefiro encarar meus problemas com rancor e revolta mesmo sabendo que vai passar?”

Então, cheguei à conclusão que meu dever, apesar de “compulsório”, não passa de uma maneira para me ensinar a começar com as coisas pequenas, para depois chegar às grandes. 

Ao invés de reclamar, vou dar um jeito de resolver meus problemas, e, assim, não provocar piores circunstâncias. Não vou me importar tanto com as pessoas incoerentes com meu estado de espírito, e mesmo com tudo aquilo que eu possa achar errado, torto, energúmeno e insignificante.

Tudo isso poderá arrumar-se conforme seu livre-arbítrio e evolução.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Caracteres da Verdade


Há algum tempo, tenho falado com meus amigos sobre este assunto e, por isso, resolvi passar minhas ideias para o papel – ou melhor, para o computador. Até mesmo para organizar o pensamento em torno dessa questão e também colocá-la em discussão. 
Afinal como se pode definir a verdade? Ou melhor dizendo, como podemos defini-la aos olhos da doutrina espírita? A tarefa é complexa, por isso tentarei expô-la da forma mais simples que eu puder.
Compreendemos o espiritismo como sendo uma filosofia, uma ciência e uma religião. Assim sendo, para entendermos a óptica espírita acerca da verdade, devemos, antes de tudo, compreender a óptica própria destes três campos, separadamente.
Comecemos, então, pela filosofia: para ela, a verdade não é algo que se possa definir, entretanto, é aceito por boa parte dos filósofos que a verdade reside no pensamento lógico comprovado pela experiência prática. Ou seja, para que uma ideia seja considerada parcialmente verdadeira, esta deve ser no mínimo lógica e comprovada por meio de evidências experimentais. Entretanto, para a filosofia, mesmo que uma ideia satisfaça essas exigências básicas, ela não corresponde à verdade e sim, a uma parcela dela e pode, futuramente, simplesmente deixar de ser verdadeira. Esse conceito de verdade se aproxima, então, da ótica da ciência.
A ciência, ao contrário do que muitos pensam e pregam, não é determinista e encara a verdade mais ou menos como a filosofia. E, apesar de tomar como verdadeiro somente aquilo que pode ser percebido pelos sentidos, não descarta a possibilidade de que outros fatores, não observáveis até o momento da experiência, possam influenciar em futuras experimentações.
Na verdade, os cientistas até curtem, quando algo que era tomado como certo deixa de ser, pois, ao invés de se frustrarem com isso, eles enxergam nisso uma nova lei, e, portanto, um novo campo de trabalho e pesquisa.
Dessas duas ópticas, tão similares, daremos um salto para a óptica da religião, pois ao contrário das duas anteriores, ela tem uma visão determinista e pouco abrangente, pelo menos no quadro atual.
Antes de falarmos da óptica religiosa, queremos deixar claro que, tomaremos como referência, apenas as religiões ditas cristãs. Pois bem, para essas religiões, a verdade é a verdade que está na palavra de Deus, que, por sua vez, está sintetizada na bíblia sagrada. Desse modo, não poderíamos aqui fazer qualquer comentário sem correr o risco de ferir a liberdade religiosa dos amigos leitores, que por ventura, aceitem essa óptica de verdade. Entretanto, podemos dizer que o Espiritismo não pensa assim, pois, no que diz respeito aos textos bíblicos,a doutrina espírita aceita como verdade somente aquilo que satisfaça à razão e que não contradiga a perfeição, a bondade, a onipotência, a onipresença e a justiça de Deus.
Enfim, chegamos à óptica Espírita.
Como vimos, para a filosofia e para a ciência, a verdade está na lógica e na experimentação, enquanto que para a religião está somente nos textos bíblicos. Assim, de forma resumida, é fácil percebermos que há um abismo entre a religião e os outros dois campos de conhecimento (Filosofia e Ciência). Mas, então, como o Espiritismo pode atuar nestes três campos sem sofrer nenhuma contradição em suas bases? Isso é bem simples. Assim como a filosofia e a ciência, o espiritismo entende como parcela de verdade tudo aquilo que é lógico e que possa ser comprovado experimentalmente, entretanto, os argumentos filosóficos do espiritismo compartilham das mesmas máximas morais do cristo. E têm como objetivo o autoconhecimento e a ascensão do espírito até Deus. Portanto, tomando como base as palavras do próprio Jesus, que disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” podemos dizer que a doutrina espírita entende uma ideia como verdadeira, desde que ela seja lógica, experimentalmente comprovada e, sobretudo, libertadora.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Leitura edificante no sentido pleno dessa palavra


Outro dia, visitando um sebo no centro de São Paulo, encontrei um livro que é um verdadeiro clássico da literatura espírita: O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis.

Léon Denis, francês, nasceu em Foug, em 1 de janeiro de 1846 e desencarnou em Tours,  em 12 de março de 1927. Ele foi um dos principais continuadores da divulgação e elaboração do conhecimento espírita após o desencarne de Allan Kardec, ao lado de Gabriel Delanne e Camille Flammarion. Incansável, fazia conferências por toda a Europa e em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, sempre defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas consequências no campo da ética nas relações humanas.

Quando comecei a ler o seu livro, achei que seria uma leitura difícil, mas surpreendi-me com a descoberta de que não é difícil não!

Além disso, é um livro esclarecedor em muitos aspectos.

Claro, pode haver alguma passagem que uma ou outra colocação do autor deva ser lida com cuidado, pois ele não é o dono da Verdade (ninguém exatamente tem sido, vamos combinar, a não ser a motivada exceção que encontramos em Cristo, graças a Deus). Nesse sentido, Léon Denis não seria um escritor que pudesse ainda falar completamente como o Espírito da Verdade que, esse sim, ouvimos falar, por exemplo, em várias passagens de O Evangelho segundo o Espiritismo

É que a Verdade, como toda e qualquer potência absoluta, pertence somente a Deus, sempre!
Nós vamos nos aproximando Dela, bem como de outras potencialidades divinas na medida em que podemos e merecemos compreendê-la(s). 

Mas, ao lermos essa sua obra em especial, notamos que Denis pode nos alimentar de vigor no caminho que tomamos em direção a nossa evolução pessoal , portanto, tanto individualmente assim como enquanto coletividade.

Vejam, por exemplo, essa passagem belíssima da página 319 da minha edição, que é a 18ª e que foi publicada pela Federação Espírita Brasileira:

[...] é consolador é belo poder dizer: Sou uma inteligência e uma vontade livres; a mim mesmo me fiz, inconscientemente, através das idades; edifiquei lentamente minha individualidade e liberdade, e agora conheço a grandeza e a força que há em mim. Amparar-me-ei nelas; não deixarei que uma simples dúvida as empane por um instante sequer e, fazendo uso delas com o auxílio de Deus e de meus irmãos do Espaço, elevar-me-ei acima de todas as dificuldades; vencerei o mal em mim; desapegar-me-ei de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras para levantar o voo para os mundos felizes!
Vejo claramente o caminho que se desenrola e que tenho de percorrer. Este caminho atravessa a extensão ilimitada e não tem fim; mas, para guiar-me na Estrada Infinita, tenho um guia seguro – a compreensão da lei da vida, progresso e amor que rege todas as coisas; aprendi a conhecer-me, a crer em mim e em Deus. Possuo, pois, a chave de toda elevação e, na vida imensa que tenho diante de mim, conservar-me-ei firme, inabalável na vontade de enobrecer-me e elevar-me, cada vez mais; atrairei, com o auxílio de minha inteligência, que é filha de Deus, todas as riquezas morais e participarei de todas as maravilhas do Cosmo.

Léon Denis em 1870
Precisamos ler mais Léon Denis! Vocês não acham?

Sim, meus irmãos, precisamos conhecer e respeitar um discurso como esse: que eleva a nossa Moral, nossas Esperanças, nossa Vontade, enfim, todas as nossas potencialidades para prosseguirmos no caminho do Bem e da Luz.

Que assim seja, graças a Deus!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Dias de Mudança


Ah esse 2012, parece até que em cada semestre presenciei dois anos distintos, mas não... Na verdade, ganhei tantos ensinamentos e vi tanta coisa que já não sou o mesmo, afinal, “cada um vê o que sabe”,  e só então descobri que somos uma metamorfose que nunca para.

Pois se a cada dia sabemos mais e consequentemente vemos mais!

E vendo mais podemos crescer e sendo grandes podemos nos ajudar e ajudar ao próximo... Assim, vamos traçando o caminho da evolução.

São nesses dias de luta que acontecem aquelas mudanças radicais, e na luta vamos ganhando sempre, porque tudo o que nós passamos em dias ruins, disso tudo podemos ganhar um pouco de experiência e com ela alcançarmos novas fronteiras.

Há alguns dias eu estava muito doente e sentia como se me chamassem para o lado obscuro e que a dor aumentava: isso foi terrível! Só que, mesmo eu estando no fundo do poço, mesmo assim os amigos espirituais conseguiram me ajudar e ajudar aqueles que tentavam fazer com que eu me juntasse a eles. E, através de um grande esforço, consegui também me recuperar, pois o nosso bem começa dentro de nós mesmos!

E é por essas e outras que, mesmo atravessando o vale das dores e da morte, não cederei, pois o Senhor é meu pastor e nada me faltará. Ainda que eu não fosse uma metamorfose ambulante, alguém que está cansado de ter aquela mesma opinião formada sobre tudo, e que meus dias não fossem relativos, um em relação ao outro, e que meu passado não fizesse o meu futuro, eu sempre estaria aqui, pois aqui estamos para melhorar e caminhar rumo a grandeza espiritual, pois como digo sempre para mim mesmo e repetirei todas as vezes que for necessário: “o homem é o próprio exercício que faz para o seu bem!” 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Somos todos médiuns?


O Guia dos Médiuns e dos Evocadores, este é o segundo nome ou subtítulo que Kardec atribuiu ao Livro dos Médiuns. Nesse livro, publicado em 1861, encontramos rico material pra sanar nossas dúvidas e acreditamos que, nestes 151 anos de sua existência, se não tivéssemos negligenciado o seu conteúdo - conteúdo este resultante das experimentações de Kardec - hoje, teríamos um Espiritismo mais dinâmico e inteligente.

Afirmações errôneas, como a de que todos somos médiuns, não seriam mais discutíveis, pois estariam resolvidas - como, aliás, já está resolvida no próprio livro a que estamos nos referindo.  

Mas, qual a importância de sabermos se somos ou não médiuns?

Poderíamos a esse respeito enumerar muitos motivos úteis, entretanto, pontuaremos apenas aquele que consideramos o mais útil e proveitoso para todos. Acreditamos que a insistência em desenvolver mediunidade é algo que atravanca o crescimento da doutrina espírita, pois se perde muito tempo buscando efeitos mediúnicos com aqueles que nada conseguem produzir. Por outro lado, estamos assim impedindo que esses, os que não possuem mediunidade, possam desenvolver outras tarefas para as quais possuam melhor aptidão, para que possam desenvolvê-las com verdade e utilidade prática para a casa espírita em que trabalham.

Esse segundo nome que Kardec deu ao Livro dos Médiuns coloca em cheque qualquer tese que defenda a generalização da mediunidade, pois, conforme este segundo título, este é um guia para os médiuns e para os evocadores. Já aí, nessa descrição da sua finalidade, as dúvidas deveriam deixar de existir, entretanto, Kardec deixou ao longo desta obra mais  36 indicações que têm por objetivo específico orientar também aqueles que não possuem mediunidade.

Na introdução do livro em pauta, encontramos este trecho interessante que, assim como tantos outros, não poderia ser ignorado e que transcreveremos, para suscitar em nossos amigos a busca por maiores informações sobre o assunto:

“(...) Seu objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da aptidão mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o uso de modo útil, quando a faculdade existe (...)”. (grifo nosso).

Caros amigos, encerramos nossa postagem com a seguinte pergunta: Se todos fôssemos médiuns porque Allan Kardec se daria ao trabalho de divulgar essas 36 recomendações a que nos referimos para aqueles que não são médiuns?


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pontuando o que é distinto no Espiritismo e na Umbanda



Começaremos nossa postagem, direta e resumidamente, a fim de não deixarmos qualquer confusão referente ao nosso ponto de vista: a Umbanda não é Espiritismo. 

Acreditamos que ao ler isso alguns dos amigos pensarão que nós somos separatistas ou preconceituosos, mas não, não somos nem uma nem outra coisa. Apenas desejamos deixar claro aquilo que Kardec já expôs na introdução da obra que marca o início da doutrina espírita, ou seja, em O Livro dos Espíritos: Os adeptos do espiritismo serão os espíritas ou, se quiserem, os espiritistas.(LE - Introdução - Item I)

Acreditamos também que o que tem causado confusão, e até mesmo entre alguns espíritas menos estudiosos, é o fato de que a Umbanda, assim como o Espiritismo, desenvolve atividades de intercâmbio mediúnico. E, nesse ponto da nossa argumentação, sabemos que se exigirá de nossa parte uma dissertação mais apurada. Então,vamos fazer isso juntos:

Na Umbanda pratica-se mediunidade, certo? Certo!

No Espiritismo também, certo? Certo!

Então, o que difere uma da outra? É simples de se compreender. Nos chamados Terreiros de Umbanda as manifestações dos espíritos acontecem sempre por meio de algum ritual – acendimento de velas, cantos de evocação, danças ritualísticas, vestimenta desta ou daquela cor, oferendas de bebidas, cigarros, alimentos entre outras tantas formas exteriores de evocação. Enquanto que na doutrina espírita não se pratica qualquer tipo de rito ou evocação material. O único modo de evocação, que os espíritos da codificação kardeciana nos aconselham, é a oração sincera, o recolhimento e a mudança íntima. Essa última, aliás, deve ser objetivo diário de todos nós, ou seja, sabemos que nenhum rito poderia nos limpar de nossas deficiências.

Infelizmente, muitos grupos considerados espíritas adotam alguns desses rituais que, sem nenhum temor, podemos considerar traços de nosso período primitivo. Esses grupos não são exatamente espíritas, ou são espíritas muito imperfeitos, principiantes, pois ferem de alguma forma os princípios da doutrina dos espíritos. Seja com a intenção de parecerem “abertos”, seja por falta de uma identidade, ou por profissão de fé desorientada, esses núcleos hoje estão distantes de compreenderem Terceira Revelação –  embora estejam dela mais próximos que nossos irmãos da Umbanda. Mas igualmente a esses últimos, também não podem se dizerem espíritas, porque nesse caso estariam tomando para si um título que não possuem ou para o qual ainda não estão devidamente aptos. Podem sim se dizerem espiritualistas universalistas, que é a melhor denominação para o tipo de trabalho que muitos têm feito, mas espíritas ainda não o são. Digamos que estão se “espiritificando”, ou seja, se tornando espíritas.

Agora chegou a hora de sermos mais amigáveis. Queridos leitores amigos, sabemos que evidentemente estamos longe de sermos detentores da verdade e pedimos até desculpas, se nossas palavras soaram ou pareceram preconceituosas, mas como dissemos no início de nosso texto temos apenas a intenção de colocar cada coisa em seu devido lugar para que assim, cada um, na medida em que suas faculdades morais e intelectuais permitam, possa contribuir de modo útil e honesto para a elevação espiritual da humanidade.